António Jacinto Rebelo Pascoal: Poética de Rita Dahl

António Jacinto Pascoal
Poética de Rita Dahl



A poesia de Rita Dahl não é de leitura simples. Movida por razões que talvez radiquem do facto de se procurar estabelecer uma ponte com o natural, Dahl usa da natureza como matriz poética de que parte para estabelecer a sua teia discursiva, reflexiva e emocional, como se se quisesse centrar no cosmos, na perspectiva ecológica da boa relação entre o Homem e a Natureza.
Aparentemente singelos, porque o seu ponto de partida assim o sugere, os poemas de Dahl constituem-se como alegorias – ou até fábulas, bestiários – existenciais, dolorosas, por vezes pungentes, mas sobretudo irónicas, sobre a nossa experiência humana. Mesmo nos poemas escritos «a partir de fora», enquanto «eu poético» presente em país estrangeiro, não se vislumbra o olhar superficial do turista, mas a leitura subjectiva de quem olha as coisas como se aquela realidade fosse (e é) primordial. Evitando todos os clichés, Dahl surpreende-nos com a sua imensa ironia e com a capacidade de destituir os momentos da sua tranquilidade castiça ou lírica (no pior sentido do termo). Dahl não expõe: contrapõe. Não apresenta: revolve. É dura a luz a que escreve."

António Jacinto Pascoal, poeta português

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